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Cariama cristata
Predadora terrestre de pernas longas e topete punk. Caça cobras, lagartos e roedores nos campos limpos. Seu canto é o despertador do Cerrado: ecoa de longe ao amanhecer.
Cerrado · Goiás · Brasil
Um sobrevoo pelas espécies que cantam, planam e batem asas sobre os capões, veredas e paredões de quartzito do segundo maior bioma da América do Sul.
Ver as espéciesA Chapada dos Veadeiros, no norte de Goiás, abriga mais de 400 espécies de aves registradas. É território de migração, reprodução e refúgio de espécies endêmicas do Cerrado — algumas delas só vistas aqui.
A diversidade vem dos contrastes: campos limpos, matas de galeria, veredas com buritis, afloramentos rochosos. Cada paisagem sustenta um cardápio diferente — e uma assembleia diferente de aves.
Doze aves para conhecer antes da próxima caminhada nos campos rupestres.
Cariama cristata
Predadora terrestre de pernas longas e topete punk. Caça cobras, lagartos e roedores nos campos limpos. Seu canto é o despertador do Cerrado: ecoa de longe ao amanhecer.
Ramphastos toco
O maior tucano do mundo. Bico laranja-fogo, voo ondulado, dieta variada de frutas, ovos e pequenos vertebrados. Frequenta matas de galeria e veredas em busca de pequi e jatobá.
Ara ararauna
Azul-cobalto nas costas, amarelo-gema no peito. Casais inseparáveis voam alto sobre os buritizais, alimentando-se de cocos de palmeiras. Nidifica em ocos de buriti morto.
Caracara plancus
Falconídeo oportunista, generalista e onipresente. Voa baixo sobre estradas, segue queimadas e patrulha pastagens. Macho e fêmea trocam serenatas de bicos jogados para trás.
Athene cunicularia
A única coruja que mora no chão. Cava (ou ocupa) tocas em campos abertos e fica de sentinela na entrada, girando a cabeça 270°. Caça insetos, roedores e até pequenos pássaros.
Furnarius rufus
Pequeno arquiteto. Constrói com lama e fibras vegetais um ninho-forno em forma de iglu, sempre voltado para o lado oposto dos ventos dominantes. Um casal, uma vida, várias safras.
Eupetomena macroura
Verde-esmeralda com longa cauda bifurcada azul-violeta. Defende com fúria os ipês e mandevilas em flor. Bate as asas até 80 vezes por segundo e desaparece em um lampejo.
Mimus saturninus
Imitador genial. Reproduz cantos de outras aves, latidos, motores. Empoleira-se em pontos altos — cupinzeiros, postes — e ensaia seu repertório o dia inteiro.
Theristicus caudatus
Íbis de pescoço amarelo-ocre e voz metálica que ecoa ao amanhecer e ao crepúsculo. Caminha em bandos pelos campos sondando o solo com o bico curvo em busca de larvas e minhocas.
Colaptes campestris
Pica-pau atípico: vive no chão. Caminha pelos campos arrancando cupins e formigas dos cupinzeiros. Topete amarelo, dorso barrado, voo ondulado entre cupinzeiros e árvores isoladas.
Volatinia jacarina
Mini-acrobata azul-metálico. No período reprodutivo, o macho salta verticalmente do poleiro emitindo um tchic agudo — repete o pulo dezenas de vezes por hora. Coreografia pura.
Suiriri islerorum
Endêmica e discreta. Descrita formalmente só em 2001. Cinza-clara, vive em casais e prefere o cerrado sensu stricto com árvores baixas e tortuosas. Tesouro raro para birdwatchers.
Céu limpo, água concentrada em poucos pontos. Aves se agrupam perto de rios, veredas e poças. Visibilidade máxima, manhãs frias, atividade intensa entre 6h e 10h.
Pulso reprodutivo. Cantos territoriais, exibições, ninhos. Cerrado em flor, frutos abundantes. Tarde de chuva, manhã de pássaros — leve capa e binóculo à prova d'água.